Último acto (ao vivo) (2010)
A história de Pedro Pinto é desvendada verso após verso de Último acto (2008). Reflect é o "
feto de '86 que tanta esperança guardou". É curioso. Ambicioso. Reflect é o "
puto promissor com um sorriso na cara. O que ganhou o Alcatel, segundo a Blitz". É o fundador da editora Kimahera, que depressa fez "
girar a atmosfera". Com confiança. Com atitude e valor.
Em 2008 apresenta Último acto, o primeiro registo em nome próprio. Dois anos depois, dia 12 de Junho, presenteia-nos com Último acto (ao vivo). O resultado do espectáculo apresentado exactamente há um ano no Teatro das Figuras, em Faro.
A Reflect, junta-se o carinho da voz de Dino, a harmonia de João Mestre, a irreverência de Dezze, o grito de revolta de RealPunch, o scratch ideal de Gijoe e o toque especial de OMG Family.
Uma equipa de luxo, num espectáculo preenchido pela descoberta, partilha e emoção.
Último acto, toca. Último acto... provoca. Reconforta. Apaixona.
Ao vivo, Último acto não cansa. Ao vivo... Último acto arrepia e encanta.
A ti, aquele "
puto promissor com um sorriso na cara", tu, aquele que "
fez da coragem, música e de um sorriso, um hino"... Para ti, Reflect, "
se a ingratidão é o resultado" que o teu "
trabalho proporciona", sussurro-te... "
Há um mundo lá fora à espera de te ver brilhar"!
Obrigada por transformares os meros instantes, em momentos preciosos.
Último acto (ao vivo) é lançado a 12 de Junho de 2010, com download gratuito em
www.kimahera.com.
Leila Leiras
01. Recortes
(com João Mestre, RealPunch e OMG Family)
Não quero o compromisso nem a pressão
Adoro o que faço sem obrigação
Escrever um verso numa canção
Fazer-te cantar no concerto o refrão
Ver-te saber as letras de cor
Primeira fila valoriza o suor
Pós-graduado num quarto fechado
Futuro brilhante que me passa ao lado
É o que tens dito, eu não tenho escutado
Sou sonho tido não realizado
Sou amargura que perdura
Noite escura, tom de voz que fura
Hipótese gasta no tempo cruel
Conheço o guião, mas não quero o papel
Achas que é fácil suportar o custo?
O preço do álbum não te soa justo?
Ofereço-te o lucro se é o que interessa
Cruzo os dedos e faço a promessa
Ofereço-te a fama, o palco é todo teu
Já podes brilhar muito mais do que eu
Fica com tudo, eu não quero a fachada
Só quero uma noite na paz passada
Um beijo, um abraço de forma apertada
Um amor verdadeiro, eu não peço mais nada
Produzido por João Mestre
Letra e voz por Reflect
Guitarra por João Mestre
Coreografia por OMG Family
02. O que resta
(com Gijoe)
Imagino-me a sair de cada concerto dado
No banco de trás do carro, sempre calado e concentrado
Escrevo sonhos com o dedo num vidro embaciado
A paisagem é poesia em movimento acelerado
Velocidade louca que me tira o ar peito
É uma desilusão constante que fica em mim quando me deito
E o carro vira autocarro e Armação passa a Lisboa
E o amor que partilhava é hoje ódio que magoa
Entre canetas coloridas só a preta me cativa
E com tanta luz apontada só a sombra me motiva
Não quero uma distinção, um troféu com pó guardado
Mendigo a liberdade a cada sopro que é gravado
Se o que faço não tem valor e ao talento, arte não devo
Então diz-me porque tremes ao ouvir o que escrevo
Dá-me a tua sinceridade, verdade eu dou e peço
Prefiro gerir o meu fracasso a comprar o meu sucesso
É mais um dia e um sonho que não fui
A noite leva a minha voz até ao céu
A mágoa que sobra aos poucos me destrói
Sou só eu, eu não sei ser herói
Uma chapada no destino a cada pinta de sucesso
Só meço o que escrevo, sou do tamanho deste verso
Não queiras ser como eu porque eu sou só ninguém
E "ninguém" é perfeito para ser tudo de alguém
Analogia perfeita, trancada numa sala
Uma pessoa iluminada e um dedo para apontá-la
Microfone ligado e uma mão levantada
Deste púlpito onde falo deixo uma multidão calada
O que eu sinto num palco, tu não vês na televisão
E a emoção que tiro disto não te dá a educação
Uma carreira é um refúgio p'ra uma vida fracassada
Eu sou a vida fora dela, em coragem elevada
Não me importo de ir a pé, desde que faça eu a estrada
Tenho orgulho de escorpião e uma paixão fotografada
E o mais importante depois da humidade secar
Ficou escrito naquele vidro depois do concerto acabar
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect
Guitarra por João Mestre
Vozes adicionais por emmy Curl
03. Desafhino
(com RealPunch e Gijoe)
Oiço muitos afirmarem-se soldados do liricismo
Mas nunca carregaram o fardo do heroísmo
"Sou lutador tentando conquistar o teu amor"
Sabes lá tu o que é sangue, lágrimas e suor
Tu nunca tiveste um problema enorme
Não te falta comida e nem na rua tu dormes
Ainda falas que na street ganhas muitas batalhas?
Não te esforças p'ra mudar porque nem sequer trabalhas
"Ai roubas p'a comer?" isso já basta
Não te vejo a alimentares-te de fios de prata
És soldado só por teres uma arma?.. Pensa
Porque debaixo da terra só te idolatram a alma
Tu até podes ser um pássaro e o teu bico é ponta-e-mola
Mas hás-de perder o pio se fores parar à gaiola
Por isso luta p’ra que não sejas um derrotado
Porque se seguires essa escola sais sempre reprovado
Sente a mensagem soldado com alma dignificada
Tu que trocaste uma arma por uma mão calejada
A cada dia acordas o sol na madrugada
Sempre lutaste p'la vida e o fizeste de forma honrada
Cuspiste na mão do crime quando ele se apresentou
E viraste costas à miséria quando ela se instalou
Tu não te lamentas por aí como esses cobardes que não se mexem
Que vêem a idade a aumentar, mas que nunca mais crescem
És forte p'los ideais que aos teus vais passar
Que na miséria ou na riqueza a humildade não vejo mudar
Tu não precisas do estatuto que ilude esta geração
Que pensa ser dona do mundo?! Nem tem uma direcção
Nas ruas da incerteza são a calçada escurecida
E no silêncio da noite são presença adquirida
Choram em cima de beats pelo que não têm na vida
E é escassa a minoria que procurou uma saída
Produzido por Dezze
Letra e voz por Reflect e RealPunch
Scratch por Gijoe
04. Knowledge
(com RealPunch e Gijoe)
Produção por Madkutz
Letra e voz por RealPunch e Reflect
Scratch por Gijoe
05. Balada do silêncio
(com Dino e OMG Family)
Quantas vezes mais é que tu vais chorar?
Quantas vezes mais é que tu vais gritar?
Tens que erguer a face e com força lutar
Há um mundo lá fora à espera de te ver brilhar
Não chores mais, abre a janela de um sorriso
Larga o escuro onde te escondes, acredita não é preciso
Tranca a porta do quarto, põe o volume adequado
Concentra-te na minha voz, deixa-te ser embalado
..Sentes o silêncio que se cria à tua volta?
Então porque choras se sabes que ela não volta?
Eu sei que às vezes é difícil e dói..
Aguentar a mágoa que o nosso coração rói
Não penses que não te entendo, não sabes o que passei
Não digas que não consegues, ninguém rouba o que já sei
Também eu já caí na estupidez de me isolar
Segue o conselho de quem passou aquilo que agora 'tás a passar
Não sou o teu melhor amigo, mas trago-te o melhor conselho
Limpa as lágrimas da cara quando te olhares ao espelho
Porque eu vou olhar por ti, vou fazê-lo por ti
Porque eu vou gritar por ti, só tens que confiar em mim
Se acreditares verás que este mundo também é teu
Não é só meu, basta olhar e ver
Absorvo o choro do planeta no silêncio d'um segundo
Numa balada sincera do meu para o teu mundo
Mas podes fechar os olhos, cerrar os dentes e aceitar
A desilusão é um degrau na escada que vais passar
Porque a vida não é justa e a justiça desiste
É como um truque de cartas onde magia não existe
Mas os olhos são poeira numa visão apaixonada
Na mente de quem se sente perdido quando julga não ter nada
Rasga o pano da mentira, não te deixes enganar
Pinta o quadro da esperança porque as coisas vão mudar
O trabalho que te sufoca e não te deixa respirar
Relação em que a felicidade não quer participar
Tens que ter coragem porque sofrer é normal
E nunca deixes que te digam que não és especial
Abraça a confiança de que um dia vais brilhar
E espero que esta música te consiga ajudar
Não chores mais, troca o amargo pelo doce
Respeita quem lá estava e só amizade trouxe
Acredita no que sinto, respeita o que sinto
Dá-me uma oportunidade e vais ver que não te minto
Cospe a dor de um amigo que um dia te voltou as costas
Respira fundo.. tem calma.. um dia vais ter respostas
A lua já não vê o sol, noite e dia não se cruzam
Sinto a raiva que sentes quando eles de ti abusam
Não deites tudo a perder, mantém a postura correcta
Ignora a cobardia de quem pensa que te afecta
Dá-lhes o avanço necessário, olha quem sorri primeiro
Mas a fama é apagada como cigarro num cinzeiro
Sopra a cinza da dor que te trouxe a este tema
E quando ele terminar quero que sintas que vale a pena
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect e Dino
Coreografia por OMG Family
06. Desaperta oh cinto
(com Dezze)
Produção por Dezze
Letra e voz por Reflect e Dezze
07. Não fales não
(com Dezze e Gijoe)
Produção por Dezze
Letra e voz por Reflect e Dezze
Scratch por Gijoe
08. Caixa de cartão
São onze e meia.
A noite cede e vês que lá fora tens tempo.
Os anos passam-te pelos olhos
Como tempos que te marcaram.
Tu és o bom, tu és o mau,
Entre momentos que a memória não perdoa
E tu tentas fugir, mas não dá.
Tu gritas, não aguentas,
Não vês que se tu lutares
Quem tu amas, destrói-te,
Agarra-te e deita-te no chão como nunca te sentiste.
Enquanto o sonho fica de lado.
E acabo sempre na mesma caixa de cartão.
Letra e voz por Reflect
09. A minha outra história
(com Gijoe e João Mestre)
Olha o puto promissor com um sorriso na cara
O que ganhou o Alcatel, segundo a Blitz: "Sem garra"
O que criou uma Kimahera e fez girar a Atmosfera
Com confiança e atitude que trataste por mania?!
Calado lado a lado com esta minha poesia
Humilde e verdadeiro em cada letra que escrevia
Desiludido e compreendido por metade da minoria
Sem o brilho de uma estrela, mas uma voz que te arrepia
Sempre com folhas na mochila, escrevia no corredor
Amante da mensagem, via-se nos olhos o amor
Que viria a virar ódio pelo ódio foi virado
De cabeça levantada nem fiquei preocupado
Eu sabia o que valia, eu sentia o que fazia
Eu sabia que haveria de chegar o meu dia
Mas a promessa de futuro não passou de ilusão
Continuo a ser a sombra que vocês não captaram/ão
Canto a saudade
Suspiro a verdade
Lá fora o dia é frio p'ra mim
E o calor do palco já não me quer assim
É Verão e este Agosto vem com sabor salgado
O castelo na areia ainda não foi derrubado
O pouco de luz que precisava tem-me passado ao lado
E ainda não consigo pôr aquele + atrás do saldo
Tirem-me este peso de cima e o prazer de uma rima
Tragam-no de volta junto ao tempo que fugiu
O meu reflexo é o espelho e já não sou quem sorriu
Ingenuidade da idade e esperança que sucumbiu
Por cada momento que foi passado, por cada palco que foi pisado
Por cada aplauso que foi guardado, maturidade agora joga o dado
Continuo a ser igual numa música dou tudo
Farto de ver este país a calar e a ficar mudo
Mas o jogo é feio demais, meu coração não se apaixona
Ingratidão é resultado que o meu trabalho proporciona
Este público aclama, reclama num grito temporário
O prazer nuns minutos pelo empenho diário?
Os dias que vou contando são frios de mais p'ra mim
E se me vires a voltar é p'ra avisar que é o fim
Estou cansado desta gente que a minha calma devora
O micro 'tá ligado, mas eu saio porta fora
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect
Guitarra por João Mestre
10. Três páginas de história
(com João Mestre)
Este é o regresso ao ano zero no berço que me embalou
Ao feto de '86 que tanta esperança guardou
O início do conto de fadas que lenda viva virou
A outra face do meu mundo onde nunca ninguém entrou:
Era mais um entre tantos c'a mochila maior c'as costas
Curioso e ambicioso em perguntas sem respostas
Pequeno cavaleiro, sem cavalo, mas a galope
O mistério guardado numa carta sem envelope
Calado e pensativo sempre com um olhar profundo
Considerado parvo porque pensava mudar o mundo
Um dos melhores no recreio, conquistei o meu espaço
No berlinde e na bola ninguém me trocava o passo
Dono da melhor resposta, surpreendia e cativava
Enquanto ouvia atentamente o que a prof. ensinava
Depois da escola o pão torrado em casa da minha tia
Fixado na televisão Rua Sésamo era o que queria
Por baixo da mesa, com os carrinhos brincava
Sempre a recolher informação do mundo que me rodeava
A tarde ainda não era noite e a hora chegava
A minha mãe ia-me buscar e p'ra casa voltava
Uns anos mais tarde Armação foi o destino
E Alcantarilha marca no coração do menino
Que cedo marcou pontos e mesmo sendo pequenino
Fez da coragem música e de um sorriso um hino
Letra e voz por Reflect
Guitarra por João Mestre
11. Último acto
(com João Mestre, Gijoe, Dino e OMG Family)
Abraça agora o tempo como nunca abraçaste
Escuta o som da minha voz como nunca escutaste
Sente o hino de mil caras, de mil vozes e um contraste
Na procura de ti próprio quando sentes que já falhaste
Tento ser razoável, mas o meu tempo é limitado
Sinto que já perdi de mais por tudo aquilo tenho dado
Sinto as mãos a tremer quando num palco vocês brilham
E um arrepio na pele ao ver que me deram o que não tinham
Sinto a responsabilidade de conquistar numa mensagem
Não te iludas com o brilho e o fascínio de uma imagem
Metade das luzes são falsas e o resto é camuflagem
Raciocínio nesta geração é uma pura miragem
Não é o fumo que consomes, é o fumo que te consome
Quando te mata, te prende e te rouba o teu nome
Sou o assalto que te tenta quando a alma já rebenta
Sou a raiva que explode e o coração que não aguenta
E se o meu tempo me permitir mostrar
Serei a luz nos teus ouvidos que te vai guiar
E se esta história tem que ter um fim
É isto que eu sou e o que quero para mim
Respiro o mundo individualista que me mente em colectivo
Que não me dá a cura, mas me vende um preservativo
Prefiro o ódio à verdade que caracteriza a minha vivência
Do que o amor a uma mentira e um sorriso de benevolência
Numa resposta não convicta eu convido à reflexão
Sou o Reflect que nunca fui e cada dia é uma lição
Sou sócio honorário da virtude que me guia
Sou o reflexo nos teus olhos, a saudade e a nostalgia
Só quero ser inspiração p'ra quem me sente e premeia
Os que cresceram a ouvir-me e me aplaudiram da plateia
Não desiludo, não iludo, sou a ausência de uma promessa
Sou ampulheta e a areia que escorre sem dar conversa
Sou o mérito de uma vitória que comprei com o meu talento
Sou a perícia, sem malícia, valores são o alimento
E se o meu tempo me permitir mudar o rumo desta história
Serei a voz da salvação que te canta em tom de glória
Sou o último acto d'uma peça que nunca irá estrear
Porque no fundo eu nem nasci, eu morri para criar
Vivo no limite da razão, insanidade chama por mim
Não conheço o início, mas tenho contrato com o fim
Desvendo a vossa mente, sente o medo e recua
Sou mistura excessiva de silêncio e luz da lua
Psicologia desta vida e filosofia tatuada
Sou o enigma, sou a chave, sou a mágoa acumulada
Não corro atrás de ninguém, mas fujo do que não sou
Odeio cada verso que a minha mente criou
Nunca serei o melhor, porque no fundo eu não existo
Eu não penso, nem respiro, moro ao lado de Cristo
Sou os phones nos ouvidos da esperança desfocada
Na minha visão diminuta, amplamente explorada
E se as linhas de um livro justificam todo o mal
Então o mundo já acabou e esta faixa nem é real
Produzido por MeK0
Letra por Reflect
Voz por Reflect e Dino
Scratch por Gijoe
Guitarra por João Mestre
Coreografia por OMG Family
12. Um pouco de luz
(com Dino e João Mestre)
Não consigo adormecer, só me apetece chorar
Só queria um pouco de paz, poder descansar
Fechar os olhos, pensar e ter motivos p'ra sorrir
Encosto a cabeça na almofada sem conseguir dormir
Sinto-me só, sem conhecer a explicação
Interpretador nato no que toca a solidão
Sempre acreditei no que sou, nunca desisti
Trago orgulho por todas as vitórias que consegui
Escorrem lágrimas, eu não consigo evitar
Penso como seria se tudo pudesse mudar
Sinto-me tão frágil sem ti, podes crer
Tento ser forte como me ensinaste a ser
Mas é tão difícil apesar de compreender
Sentado nesta cadeira sempre triste a escrever
Viajo na minha memória sem objectivo traçado
Admito que tenho medo do futuro não revelado
Procuro as palavras certas quando tudo está errado
Dou tudo por quem às vezes me deixa magoado
Do que serve um coração puro se este não for amado?
Do que serve ser artista se não for respeitado?
Escrevo páginas, vivo cada verso intensamente
Se amar é sofrer então sofro eternamente
Não desisto só porque parece complicado
Fico mais forte por nada ser facilitado
No degrau da esperança, plantei uma semente
Subi a escada com confiança, hoje tudo é diferente
Paixão incondicional pela vida que valorizo
Músico sincero a cada vibração que canalizo
Cada verso uma estrela, o céu a minha melodia
Perseguido pela sombra, ilumino cada dia
Se lutar é vencer porque não sinto a vitória?
Se o tempo tudo curasse, amor seria história
Vejo-me.. sem me sentir satisfeito
Protejo-me.. desconfio e não aceito
Guardem o mapa, eu já conheço o tesouro
És única, és linda, envergonhas o ouro
Peço um desejo: quero a tua felicidade
Só assim posso ser feliz, acredita que é verdade
Se um dia eu disser adeus não quero que sintam saudade
Sorriam porque um dia lutámos lado a lado
O caminho é mais longo, estou cansado de andar
Pergunto-me.. se estou onde podia estar
Pergunto-te.. se vale mesmo a pena lutar
Tranquei as portas por onde gostava de sair
Se existe explicação porque demora tanto a vir?
Sei que não é justo, mas tento aguentar
Vejo luzes que me transportam para outro lugar
Sinto cheiros de flores que não posso tocar
Tento marcar pontos, mas sei que não vou ganhar
Há coisas que não controlo.. tenho que aceitar
Vejo reflexos de pessoas que nunca esqueci
Olhos são o espelho da alma, vazia sem ti
Tento esquecer quando quero tanto lembrar
Continuo a correr quando só me queria sentar
O simples é tão belo, aprendi a apreciar
Olho para trás com saudade, mas tenho que continuar
Ardem feridas não curadas apesar do tempo tentar
Resumo o que sinto a um sincero olhar
Um quadro cheio não é uma pintura completa
E a vitória nem sempre vem depois de cortar a meta
O mundo pode mudar, o tempo pode parar
O que sou é eterno e nada me fará mudar
Caminhos podem-se cruzar rumos podem mudar
Mas um pouco de luz continuarei a procurar
Produção e letra por Reflect
Voz por Reflect e Dino
Guitarra por João Mestre
13. A minha história II
(Dino e João Mestre)
Letra e voz por Dino
Guitarra por João Mestre
14. A minha história
(com João Mestre)
Entre sonhos e desilusões vejo o tempo a escapar
Cada segundo é um abraço e eu não quero acordar
Suspiro no silêncio enquanto exploro o meu karma
A verdade que plantei revelou-se a melhor arma
Depositei a esperança numa caixa bem selada
Trago a maturidade d'uma vitória bem suada
Insirado na saudade gravo uma banda sonora
Cada faixa um sorriso d'uma vida d'outrora
Exploro os horizontes do amor que nunca tive
Magoado no que fui é o que sou que sobrevive
Comentários lançados em ferro transformei
Continuem a ser ouro porque pedra eu serei
Sente o orgulho de aço pelos valores que
Defendo arrisco, ganho, perco e aprendo
Underground?.. não preciso de ser considerado
Sou orgulho p'rá família, objectivo alcançado
Conto a minha história de cabeça erguida
Vivo apaixonado pelo que faço nesta vida
Letra e voz por Reflect
Guitarra por João Mestre
15. A sós com a nostalgia
(com João Mestre)
Por favor atende a chamada
Já estou farto de conversa fiada
De atitudes de menina mimada
Poupa-me e fica calada
Não brincas mais com o que sinto
Se disser que não te amo minto
Mas isto já foi longe de mais
Os teus actos não são reais
Esta é a última vez que te digo
Já não partilho segredos contigo
Esquece tudo o que passaste comigo
Já não sou nem amor nem amigo
O teu toque já não me embala
A tua voz verdade não fala
Dei-te tantas oportunidades
Só brincaste com as minhas saudades
Só soubeste tirar partido
De um coração magoado e ferido
Junto as peças da fotografia
Que rasgaste só por ironia
Eras tu quem não sentia
Era eu que por nós tudo fazia
Por isso tchau e até qualquer dia
Vou-te deixar a sós com a nostalgia
Esta é a última vez que te digo
Já não partilho segredos contigo
Esquece tudo o que passaste comigo
Já não sou nem amor nem amigo
Produção, letra e voz por Reflect
Guitarra por João Mestre
16. Reflexo da sombra
Eu não quero ser a luz
Aos olhos da ilusão
Eu quero ser a sombra
Que te gela o coração
Não queiras fazer de mim aquilo que eu não sou
Passados alguns anos quem falou foi quem mudou
Qualidades e defeitos são personalidade
..Prefiro poucos, mas amigos de verdade
Sei com quem posso contar, tu sabes?
Sei que não me vão falhar, tu sabes?
Mas a mágoa que invade a pintura mais bela
É como tinta escorrida numa acapella
Cada vez mais elucidado, tenho mais cuidado
Coração congelado e fechado a cadeado
Quanto baste negativo, vingativo quanto baste
Factor aliciante pelo qual t'apaixonaste
Sou força que falha, verdade que mete medo
Sou mistério eterno em tom de segredo
Em honra do amor eterno acendo outra vela
Reflect não é sapato p'ra nenhuma Cinderela
Produção por Kahestiga (Catakumba Mãe)
Letra e voz por Reflect
17. Infinitamente
Olha p'rá mão de um poeta, calejada e marcada
Por toda a falsidade que apanhei por esta estrada
O ódio que sinto passa a desgosto quando não vejo um brilho no rosto
Daqueles que eu queria, viram a rotina fazer da vida apatia
Numa família, só de fachada, cada um por si de cara voltada
Como seguir as regras de um livro que a mim já não me ensina nada
Quantas vezes passei por aquela porta?
Ouvir-te a chorar podes crer que me importa
E odeio a incapacidade de nada poder fazer
Hoje percebo como é que ficavas
Quando pedia um brinquedo e tu não compravas
Por isso desculpa se não percebi
E vê a inspiração que recebi de ti
Nada quero que me pagues, não te sintas mal
Nem quero uma prenda pelo Natal
Só quero que estejas todos os dias
Com o mesmo olhar de quando histórias me lias
Adormecia tão bem e acordava bem melhor
Embalado na certeza de contar com o teu amor
"Olha lá vai o filho do Vereador, aquele do site armado em cantor
Aquele que rima com os pretos da Caixa, oh meu deus que classe tão baixa"
Quem são vocês p'ra falar de classe, se não têm mais que a quarta?
Numa mentalidade atrasada, sinceramente a mim já farta
Eles não precisam da vossa pena nem sequer de solidariedade
Nem imaginas o que podem fazer se lhes derem uma oportunidade
Uma pessoa não se mede p'lo salário, nem por um voto num poder partidário
Nem pelo carro, nem pelo curso, nem numa casa ou num concurso
Licenciado não sou por opção, inteligência não é memorização
Dispenso ser o engenheiro que cabula, sou o génio que habita na lua
Sou autodidacta, sem ordenado, sem um carro topo de gama comprado
O que dedica o tempo a deixar no tempo o que o tempo lhe ensinou
Para que uns não repitam os meus erros e outros aprendam com o que sou
Será que sentes o que sinto quando vejo o meu pai desiludido?
Pela cobardia de quem não faz numa vida o que ele fez num dia
Por isso p'ra além da sua posição, invejem dois filhos mais educação
Não devo nada a ninguém, construí aquilo que sou
Criei este reflexo que ao infinito me levou
Por isso é que eu já não me preocupo, fiz tudo p'ra ter o lugar que ocupo
Madrugadas a programar, madrugadas a cantar
Sou vítima desta estúpida guerra
Armação / Silves, qual é a tua terra?
Vejo escolhas condenadas, falta de visão, pessoas atrasadas
Poucos deram aquilo que eu dei por Armação só eu o sei
Diz-me quem mais alto levou este local que me abraçou?
Por isso quando ao céu chegar
Já tenho uma história p'a contar
Começa ao lado do Zara a cantar
E termina quando este beat acabar
Produzido por Spell
Letra e voz por Reflect
Último acto (ao vivo)
09.
A minha outra história
10.
Três páginas de história
Último acto (2008)
Reflect, filho de Armação de Pêra e fundador da editora algarvia Kimahera, não é nenhum estranho à música. Apesar de ter saído vencedor na categoria Hip Hop do concurso "Alarga a tua vida - Alcatel REC2" com o tema "Se Amanhã", foi em 2007 que se estreou em cd, na primeira edição da Kimahera, o "Duelo Mental" de Gijoe e Spell, tendo desde então pisado palcos um pouco por todo o país com o seu grupo Evolusom e emprestado a voz a vários projectos, desde compilações a mixtapes.
Sem pressas, com todo o tempo e maturidade que um álbum exige, foi em 2008 que Reflect se deu por satisfeito e anunciou o lançamento do seu tão aguardado primeiro registo a solo, "Último acto". É o resultado de muitas horas, muita dedicação e sobretudo, muito amor à música.
"Último acto" é, por isso mesmo, um tributo. Não se deixa prender por estilos, rótulos ou públicos-alvo, pelo contrário, todo ele se constrói em torno da essência do processo musical, o próprio artista. Fazer música é um acto tão pessoal para Reflect que carregar no Play deste seu primeiro trabalho é uma viagem estonteante pelo seu espírito.
Tão intimista que quase intimida.
O "Último acto" invade. Invade pela determinação, pela intrínseca força de espírito do músico, mais que o rapper, mais que o produtor, mais que o autor. Reflect é um humano que não vive sem música, ele vive a música e isso traduz-se num álbum tão coeso como uma muralha: firme, cheia de histórias para contar e com uma força inabalável.
Joana Nicolau
01. Recortes
Não quero o compromisso nem a pressão
Adoro o que faço sem obrigação
Escrever um verso numa canção
Fazer-te cantar no concerto o refrão
Ver-te saber as letras de cor
Primeira fila valoriza o suor
Pós-graduado num quarto fechado
Futuro brilhante que me passa ao lado
É o que tens dito, eu não tenho escutado
Sou sonho tido não realizado
Sou amargura que perdura
Noite escura, tom de voz que fura
Hipótese gasta no tempo cruel
Conheço o guião, mas não quero o papel
Achas que é fácil suportar o custo?
O preço do álbum não te soa justo?
Ofereço-te o lucro se é o que interessa
Cruzo os dedos e faço a promessa
Ofereço-te a fama, o palco é todo teu
Já podes brilhar muito mais do que eu
Fica com tudo, eu não quero a fachada
Só quero uma noite na paz passada
Um beijo, um abraço de forma apertada
Um amor verdadeiro, eu não peço mais nada
Produzido por MeK0
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
2007
02. Pós-fama
(com Gijoe)
Que posição ingrata esta de ser o orador em pistas
Criticado, não criticar, criticas que tu me aplicas
Ver o mundo com mais dimensões, guardadas leis ensinam
Seguir trilhos à procura de palavras que rimam
Trazer de volta à vida melodias do passado
Elogiar a perfeição como num tema inacabado
Ir à lua e voltar em cada verso debitado
Envolver-te no meu charme e sentires-te identificado
Tenho a chave para o tesouro, mas o mapa sou eu
Enriquecido vejo aquele que me ouviu e entendeu
Mergulhar na madrugada à procura do beat certo
Para que a voz saia quente e me sintas sempre perto
Quantos anos de preparação até me sentir capaz
De te entregar o conhecimento que construo desde rapaz
Teimoso em escrever e cantar aquilo que penso
Underground ou mainstream, sou a definição de intenso
A mesma pergunta segue o mesmo rosto d'outrora
E se não gosto deste papel porque é que eu não fui embora?
Já não posso virar costas a esta minha "obrigação"
De te preencher os ouvidos com a voz de orientação
Trago nos ombros a inspiração que este álbum escreveu
E nas mãos o suor de quem por mim não cedeu
Desiludido pelo tratado entre a amizade e a fama
Mas grato pela experiência depositada na alma
Se nada é perfeito porque me julgas por o não ser?
E se eu já te dei tudo diz-me o que mais posso fazer
Quantas vezes perdido e com vontade de não voltar
As mesmas em que a tua voz me puxou e fez acreditar
Fortalecido e confundido com a leve banalidade
Os que me conhecem sabem bem o quanto prezo a verdade
É por eles que existo e aproveito cada segundo
O orgulho de quem me adora é o maior palco do mundo
Quando as luzes se apagarem
Quando as portas se fecharem
Quando as cortinas se juntarem
Quantos de vocês é que se vão lembrar?
E com quantos amigos é que vou ficar?
Produzido por Dezze
Letra e voz por Reflect
Scratch por Gijoe
Fotografia por Catarina Mira
2006
03. Se amanhã
(com Gijoe)
Quando nada me parece justo e me sufoca a solidão
Quando o sol já não brilha e o esforço foi em vão
Quando o mundo se reduz a uma caneta e um caderno
Fecha os olhos, pensa e vê que nada é eterno
Quantas vezes já te sentiste a ver o tempo a passar?
Distante de tudo e todos com sonhos por realizar
Perdido em pensamentos que te fazem sofrer
E afogado em lágrimas que teimam em querer escorrer
Perfeito sei que não sou nem perfeição ambiciono
Ilusões escritas na noite são deixadas ao abandono
Inspiro-me na lua reflectida no mar, no teu olhar
No calor do teu abraço que tanto me faz sonhar
Sou filho da esperança e prisioneiro do teu beijo
Sou a força da luta e a felicidade que desejo
Certezas tenho poucas e às que tenho dou valor
Obrigado por toda a atenção e todo o vosso amor
Se amanhã não houver amor nem amizade
Quero que saibam que vos amo de verdade
Se amanhã partir e o destino me levar
No meu coração terão sempre lugar
Hoje acordei com vontade de virar costas, desistir
Olhei à minha volta, vi tantos motivos p’ra sorrir
Lembro-me de olhares cruzados a que não liguei
Sou um bocado de nada, mas feliz pelo que sei
Feliz por saber que a vosso lado aqui cheguei
É difícil fazer rir, mas tão fácil fazer chorar
Facilidades não quero e continuarei a lutar
Há momentos que ficam e que nunca vou esquecer
Vocês são mais que tudo, nunca vos quero perder
Quero olhar-te nos olhos e dizer o quanto te amo
Abraçar um amigo e agradecer toda a amizade
Toda a força, todo o apoio, toda a verdade
Nada mais me interessa e estou a vosso lado
Caminhamos na estrada onde o meu coração foi deixado
Nunca mais o quero ter a vocês foi confiado
Somos um até que um novo rumo seja levado
Produzido por Dezze
Letra e voz por Reflect
Scratch por Gijoe
Fotografia por Pedro Pinto
2004
04. Quando pensares
Queria-te oferecer um cravo, mas só trago uma rosa
Os dias são contados de forma lenta e dolorosa
Ideias baralhadas de uma forma requintada
Saudade de suaves toques numa noite divorciada
Versos únicos como impressões digitais
Mil e dois poemas, todos diferentes, todos iguais
Sinto que a minha própria liberdade é uma prisão
Porque quando olho e tu não estás o dia parece em vão
Se pensas que não me faz diferença.. estás enganada
Cada linha nesta letra sem ti.. não vale nada
Porque mais que inspiração, és atenção e ternura
Presença que me acalma, luz que brilha numa rua escura
Tecla no piano.. que me soa tão bem
Como te conheço a ti.. não conheço ninguém
Basta uma miragem e já consigo acreditar
A tua presença deixa-me com o olhar a brilhar
Todo o calor recebido mais parece um vento frio
Só de pensar no teu olhar o que sinto é um arrepio
Eu nunca disse adeus, mas já te vi partir
Eu já te fiz chorar, mas quero-te ver a sorrir
Quando pensares que não queres voltar
Fecha os olhos, ouve-me a cantar
Eu sou a voz que te faz brilhar
Sou a vontade de continuar
É imenso.. o tempo que passou por mim
É intenso.. aquilo que contigo vivi
As cortinas são as grades e o meu quarto a prisão
O branco do tecto é prenúncio de solidão
És mais que cor intensa que me ofusca ao acordar
Positivo e negativo que põe o mundo a girar
Eu não acredito em Deus, mas acredito em ti
Porque quando precisei não foi a Ele que o ouvi
Foste sempre tu a voz que estava lá p'ra mim
Foste e és o motivo que me faz escrever assim
Hoje tudo é diferente, sente, mas nada mudou
Tu estás lá, eu estou cá, mas o sentimento ficou
A ânsia de uma mensagem ou um toque de madrugada
Experiência marca vivência de cada noite bem passada
Tenho a agenda preenchida de encontros com a almofada
Roupa escolhida a dedo numa viagem marcada
Como nocturno assumido, vejo o sol a metade
Sinto o aperto no peito pela coragem que me invade
E ao contrário do que parece isto não é uma despedida
É só mais uma página do livro da minha vida
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
Voz adicional por Áurea
2005
05. Três páginas de história
Este é o regresso ao ano zero no berço que me embalou
Ao feto de '86 que tanta esperança guardou
O início do conto de fadas que lenda viva virou
A outra face do meu mundo onde nunca ninguém entrou:
Era mais um entre tantos c'a mochila maior c'as costas
Curioso e ambicioso em perguntas sem respostas
Pequeno cavaleiro, sem cavalo, mas a galope
O mistério guardado numa carta sem envelope
Calado e pensativo sempre com um olhar profundo
Considerado parvo porque pensava mudar o mundo
Um dos melhores no recreio, conquistei o meu espaço
No berlinde e na bola ninguém me trocava o passo
Dono da melhor resposta, surpreendia e cativava
Enquanto ouvia atentamente o que a prof. ensinava
Depois da escola o pão torrado em casa da minha tia
Fixado na televisão Rua Sésamo era o que queria
Por baixo da mesa, com os carrinhos brincava
Sempre a recolher informação do mundo que me rodeava
A tarde ainda não era noite e a hora chegava
A minha mãe ia-me buscar e p'ra casa voltava
Uns anos mais tarde Armação foi o destino
E Alcantarilha marca no coração do menino
Que cedo marcou pontos e mesmo sendo pequenino
Fez da coragem música e de um sorriso um hino:
Lembro-me das tardes em casa lá fora no jardim
O Scooby era a companhia que olhava por mim
Sentia-me como rei num castelo fortificado
Sem espada, mas com escudo por todo amor mostrado
Aborrecido com as obrigações que para mim sobravam
De lágrimas nos olhos quando os meus pais ralhavam
No fundo era o frágil, mas ágil p'ra ser forte
Pequeno, mas lutador sempre virado p'ra norte
Escola a dois passos de casa, era o último a entrar
Mas o brilhante, o top escola, o primeiro a acabar
Seja qual fosse a prova ou desafio a enfrentar
Empenhava-me, esforçava-me até conseguir ganhar
O último toque do dia era o início do ritual
Quantas tardes no campo a jogar mais o meu pessoal?
Hoje são memórias que transformei em poesia
Não me esqueço de quem por lá passou e até qualquer dia
Num país encantado, cheio de truques e armadilhas
Viajei pelo Universo onde vi mil maravilhas
Conheci o ódio e o amor, o sucesso e a derrota
Beijei a realidade e assumi nova rota:
Nono ano completo, aguardou-me a secundária
Armação - Silves passou a ser rotina diária
Com mais vontade que nunca, mantive o meu lugar
Como em tardes em casa com o meu irmão a jogar
Quis fazer tudo porque pensei que conseguia
Subestimei a Natureza e aprendi o que não sabia
Mas foquei-me, concentrei-me, ganhei força p'ra continuar
Com responsabilidade e peso nos ombros a aumentar
Vinte anos de aprendizagem, filmagem e fotografia
Transmitiram-me uma visão mais ampla do que devia
Mas o tempo não muda o que em nosso tempo nós sentimos
O charme do amanhecer quando os olhos abrimos
Continuo a ser o aparte, o frio e reservado
Mas também doce e sensível p'ra quem me tem amado
Sou o resultado da influência de ti no meu caminho
Mas serei sempre o herói que fará história sozinho
Produzido por MeK0
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Família Pinto
2006
06. Desafhino
(com RealPunch e Gijoe)
Oiço muitos afirmarem-se soldados do liricismo
Mas nunca carregaram o fardo do heroísmo
"Sou lutador tentando conquistar o teu amor"
Sabes lá tu o que é sangue, lágrimas e suor
Tu nunca tiveste um problema enorme
Não te falta comida e nem na rua tu dormes
Ainda falas que na street ganhas muitas batalhas?
Não te esforças p'ra mudar porque nem sequer trabalhas
"Ai roubas p'a comer?" isso já basta
Não te vejo a alimentares-te de fios de prata
És soldado só por teres uma arma?.. Pensa
Porque debaixo da terra só te idolatram a alma
Tu até podes ser um pássaro e o teu bico é ponta-e-mola
Mas hás-de perder o pio se fores parar à gaiola
Por isso luta p’ra que não sejas um derrotado
Porque se seguires essa escola sais sempre reprovado
Sente a mensagem soldado com alma dignificada
Tu que trocaste uma arma por uma mão calejada
A cada dia acordas o sol na madrugada
Sempre lutaste p'la vida e o fizeste de forma honrada
Cuspiste na mão do crime quando ele se apresentou
E viraste costas à miséria quando ela se instalou
Tu não te lamentas por aí como esses cobardes que não se mexem
Que vêem a idade a aumentar, mas que nunca mais crescem
És forte p'los ideais que aos teus vais passar
Que na miséria ou na riqueza a humildade não vejo mudar
Tu não precisas do estatuto que ilude esta geração
Que pensa ser dona do mundo?! Nem tem uma direcção
Nas ruas da incerteza são a calçada escurecida
E no silêncio da noite são presença adquirida
Choram em cima de beats pelo que não têm na vida
E é escassa a minoria que procurou uma saída
Produzido por Dezze
Letra e voz por Reflect e RealPunch
Scratch por Gijoe
Fotografia por Natasha Cabral
2006/07
07. Balada do silêncio
(com Dino)
Quantas vezes mais é que tu vais chorar?
Quantas vezes mais é que tu vais gritar?
Tens que erguer a face e com força lutar
Há um mundo lá fora à espera de te ver brilhar
Não chores mais, abre a janela de um sorriso
Larga o escuro onde te escondes, acredita não é preciso
Tranca a porta do quarto, põe o volume adequado
Concentra-te na minha voz, deixa-te ser embalado
..Sentes o silêncio que se cria à tua volta?
Então porque choras se sabes que ela não volta?
Eu sei que às vezes é difícil e dói..
Aguentar a mágoa que o nosso coração rói
Não penses que não te entendo, não sabes o que passei
Não digas que não consegues, ninguém rouba o que já sei
Também eu já caí na estupidez de me isolar
Segue o conselho de quem passou aquilo que agora 'tás a passar
Não sou o teu melhor amigo, mas trago-te o melhor conselho
Limpa as lágrimas da cara quando te olhares ao espelho
Porque eu vou olhar por ti, vou fazê-lo por ti
Porque eu vou gritar por ti, só tens que confiar em mim
Se acreditares verás que este mundo também é teu
Não é só meu, basta olhar e ver
Absorvo o choro do planeta no silêncio d'um segundo
Numa balada sincera do meu para o teu mundo
Mas podes fechar os olhos, cerrar os dentes e aceitar
A desilusão é um degrau na escada que vais passar
Porque a vida não é justa e a justiça desiste
É como um truque de cartas onde magia não existe
Mas os olhos são poeira numa visão apaixonada
Na mente de quem se sente perdido quando julga não ter nada
Rasga o pano da mentira, não te deixes enganar
Pinta o quadro da esperança porque as coisas vão mudar
O trabalho que te sufoca e não te deixa respirar
Relação em que a felicidade não quer participar
Tens que ter coragem porque sofrer é normal
E nunca deixes que te digam que não és especial
Abraça a confiança de que um dia vais brilhar
E espero que esta música te consiga ajudar
Não chores mais, troca o amargo pelo doce
Respeita quem lá estava e só amizade trouxe
Acredita no que sinto, respeita o que sinto
Dá-me uma oportunidade e vais ver que não te minto
Cospe a dor de um amigo que um dia te voltou as costas
Respira fundo.. tem calma.. um dia vais ter respostas
A lua já não vê o sol, noite e dia não se cruzam
Sinto a raiva que sentes quando eles de ti abusam
Não deites tudo a perder, mantém a postura correcta
Ignora a cobardia de quem pensa que te afecta
Dá-lhes o avanço necessário, olha quem sorri primeiro
Mas a fama é apagada como cigarro num cinzeiro
Sopra a cinza da dor que te trouxe a este tema
E quando ele terminar quero que sintas que vale a pena
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect e Dino
Fotografia por Pedro Pinto
2006/07
08. A minha outra história
Olha o puto promissor com um sorriso na cara
O que ganhou o Alcatel, segundo a Blitz: "Sem garra"
O que criou uma Kimahera e fez girar a Atmosfera
Com confiança e atitude que trataste por mania?!
Calado lado a lado com esta minha poesia
Humilde e verdadeiro em cada letra que escrevia
Desiludido e compreendido por metade da minoria
Sem o brilho de uma estrela, mas uma voz que te arrepia
Sempre com folhas na mochila, escrevia no corredor
Amante da mensagem, via-se nos olhos o amor
Que viria a virar ódio pelo ódio foi virado
De cabeça levantada nem fiquei preocupado
Eu sabia o que valia, eu sentia o que fazia
Eu sabia que haveria de chegar o meu dia
Mas a promessa de futuro não passou de ilusão
Continuo a ser a sombra que vocês não captaram/ão
Canto a saudade
Suspiro a verdade
Lá fora o dia é frio p'ra mim
E o calor do palco já não me quer assim
É Verão e este Agosto vem com sabor salgado
O castelo na areia ainda não foi derrubado
O pouco de luz que precisava tem-me passado ao lado
E ainda não consigo pôr aquele + atrás do saldo
Tirem-me este peso de cima e o prazer de uma rima
Tragam-no de volta junto ao tempo que fugiu
O meu reflexo é o espelho e já não sou quem sorriu
Ingenuidade da idade e esperança que sucumbiu
Por cada momento que foi passado, por cada palco que foi pisado
Por cada aplauso que foi guardado, maturidade agora joga o dado
Continuo a ser igual numa música dou tudo
Farto de ver este país a calar e a ficar mudo
Mas o jogo é feio demais, meu coração não se apaixona
Ingratidão é resultado que o meu trabalho proporciona
Este público aclama, reclama num grito temporário
O prazer nuns minutos pelo empenho diário?
Os dias que vou contando são frios de mais p'ra mim
E se me vires a voltar é p'ra avisar que é o fim
Estou cansado desta gente que a minha calma devora
O micro 'tá ligado, mas eu saio porta fora
Falem à vontade, agora eu
Já não me preocupo
Ninguém me tira este lugar que ocupo
Vou à luta, quebro a barreira
Não há palavras que me possam ferir
Silêncio regressa ao meu corpo embrulhado em papel
De um Natal esquecido entre estradas e autocarros
O barulho do metro confunde-se com a miséria
Cheguei onde estou e para onde ia já não sigo
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
2007
09. Noite, vem
(com Spell)
Sente a magia de cada verso num ritmo que te envolve
A luz numa rua acesa num brilho que se dissolve
Versos numa carta intemporal que expirou
E o músico adormecido que fora de horas despertou
A liberdade que se ganha quando meio mundo adormece
O espaço que se repete, mas que a gente ignora e esquece
A chave da evolução p'ra quem rompeu com a rotina
A liberdade que marca a diferença, mas que ninguém adivinha
O factor que te intriga e ilumina metade do rosto
O peso que desequilibra e que te faz ter outro gosto
Silêncio que fala e guarda o ranger de uma porta
O ponto mais alto da vida quando a tratam por morta
Escuro que rompe na luz como a traição no amor
Acção tomada sem nexo como a paixão sem dor
Ardor sem ferida aos olhos da distracção
Caminho não iluminado, mas que todos seguirão
Metáfora sem ironia, a outra parte deste dia
O calor ou o frio, as maiores horas de nostalgia
O clima mais doce que revela histórias apagadas
A areia sem o mar, uma praia sem pegadas
O retrato sem pessoas que maior valor conquista
A dona das insónias que me tornaram artista
Cinzas na lareira enquanto um momento é recordado
Aquela que vai e vem e o presente vira passado
A caixa misteriosa que nem todos conseguem abrir
A que vem depois do pôr-do-sol na sua vez de sorrir
As gotas numa planta resultam do seu efeito
E é graças a ela que este tema é perfeito
Noite de loucura, agulha de acupunctura
Veneno tortura, rua da amargura
No silêncio és pura, não finges como virgens
E eu no teu imenso tenho vertigens
Deixaste cicatrizes, feridas profundas
Senti-te na pele quando fomos às catacumbas
Seduzido no teu charme enfraqueci como carne
Não és de porcelana, és dura como mármore
Bêbedo no teu escuro, viciado no teu perfume
Meti a mão no fogo e queimei-me no lume
Foste razão de muitas lágrimas
Caneta de páginas onde criámos poesia
Tu és o reverso do dia, ausência da luz
A tua magia já não me seduz
Foste dura, ensinaste-me a doer
Agora já sei exactamente o que não fazer
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect e Spell
Fotografia por Pedro Pinto
2006/07
11. Pelo meu prisma
Permaneci calado no meu canto a observar
Paciente e confiante que a minha hora ia chegar
Estudei o mundo à minha volta, formulei teorias
Tirei conclusões de visões que nem conhecias
Enclausurei e censurei a minha própria opinião
E tenho medo da intensidade que capta o meu coração
Protegi-me da falsidade atrás de um olhar sombrio
Simpatia foi coberta por este discurso frio
Foram saídas nocturnas trocadas por reflexão
Madrugadas em que divaguei criei opinião
Espectador mais que atento, a perspectiva é invejável
E o escudo que criei à minha volta impenetrável
Sentado e parado vi o mundo a girar
Mas sou eu quem o tem na mão, gira até eu deixar
Eu sou dono do que posso e patrão do que pude
E ainda bem que tenho dois olhos porque um deles não se ilude
Fecho os olhos e tudo desvanece
Despeço-me da dor e ela não desaparece
Fecho os punhos, tento ter a força p'ra lutar
Fecho os olhos e tudo desvanece
Despeço-me da dor, mas ela não desaparece
Decorei as tuas falhas e estudei as qualidades
Resumi situações e comparei reacções
Vi lógica nas emoções em impulsos controlados
Descodifiquei demasiados sorrisos comprados
Viajei na razão à procura de respostas
Para as perguntas que ainda nem eram supostas
..Percebes agora o porquê do afastamento?
Precisei de estar fora para ver melhor por dentro
O silêncio no olhar refugia a segurança
Mas o peso do orgulho desequilibra a balança
E pensarás que é doentia a filosofia descritiva
Mas quem foi o melhor narrador nesta narrativa?
Eu pago o preço de querer ser o que nunca existiu
E fotografo o desespero de quem não lhe resistiu
E continuo a bailar com uma máscara obsoleta
Impune e superior como o que escrevo nesta letra
Sou o pesadelo que ecoa na tua cabeça quando te deitas
A ignorância que respiras e liberdade que não respeitas
Esquece a revolução, cultiva a educação
Memoriza o tom de Abril que libertou uma nação
Eu tiro as conclusões que este povo não quer ver
Vives demasiado ocupado a ser aquilo que não queres ser?
Sou a vontade acumulada, p'ra gritar não há coragem
Permaneço voz calada de um sonho em miragem
Vejo retratos da minha vida neste corredor cinzento
Em molduras que 'tão gastas pelo passar do tempo
Isto é o regresso ao passado à casa onde cresci
Ainda tenho areia no bolso de brincar naquele jardim
Justifico a apatia que sempre me questionaste
Aqui tens a explicação que tanto procuraste
Não sou menos que ninguém, não sou mais que ninguém
Sou a morte depois da vida, espera por mim no além
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
2007
12. Código RAPVinci
(com Evolusom)
Levanto o meu terceiro dedo em sinal de protesto
Fecho a outra como um murro em sinal de manifesto
Polémica só reverte a favor da película
Tanto aluno na escola do crime sem fazer a matricula
É o título desta obra que vos incentiva a ter prazer
Código ra(p)vinci faz o teu ego tremer
Bárbaras execuções em bairros pobres do planeta
E o mendigo sofre de insónias, fome, sede numa sarjeta
Quem encaixa com o prejuízo e o psicológico danificado?
De um irmão depois de observado ainda ser espancado
Até a voz de um doutor citar que havia vigilância
Depois de socos, pontapés, no local jipe e ambulância
Página quarenta e quatro mostra agonia que abre fendas
E reclusos em presídios que esperam anos por penas
Quantos julgamentos marcados, inocentes sem sono?
Quantos músculos é que vocês ganham com uma divisa no ombro?
Tanto cêntimo, tanto euro, tanto saco de dólar
E quem é que paga o sofrimento de angolanos com cólera?
Tanto dinheiro mal gasto, deixa gente nervosa
Tanta incompetência numa ponte que cai, mão criminosa
Uma aliança no braço, casamento com heroína aquece
Divorciam-se p'rá metadona, mas primeiro amor não se esquece
Recaídas diárias, companhias a evitar
Tanto tabu no meio de crânios, tanta gente com medo de falar
Pedofilia doentia, no jornal faz manchete
Um "péniszitório", contra-indicação: não ir à retrete
Umas pequenas verdades ditas, rematadas no meu desagrado
Não sei se é cansaço de viver ou farto de viver cansado
Escondidos atrás d'um nome, jornalistas são influência
Anónimo texto, pretexto p'ra guerras e violência
Televisões, jornais, revistas e magazines
A mentira que é espalhada continua a ser o maior dos crimes
Seja qual for a religião, nacionalidade ou raça
Aquilo que todos querem é ser a maior ameaça
Sou a revolta de um povo e um cravo mal amado
Todos iguais, todos diferentes, só no tempo contado
Vaticano pede a paz da própria guerra que fundou
América é o Titanic indestrutível que afundou
Sustento a bandeira, sem cor e sem hino
Oprimido pelo suposto, sonho desde pequenino
Sou a Europa corrompida e uma potência desempregada
Brilhante texto oculto numa página rasgada
O livro de segredos que não querem nem por nada
O Código Ra(p)vinci e a polémica gerada
A Bíblia e o Corão, o luxo e a expeculação
O intervalo, a propaganda e horas de televisão
Adoptado pela Europa, sou filho de Portugal
Educado pela América sou cidadão mundial
Inspiro a tinta da imprensa a pintar e a entreter
Nunca vou ser uma sombra numa máquina de escrever
Isto é o capítulo da revolta da Bíblia do r.a.p.
Oração lírica do Pai Nosso ao Avé
Maria cheia de graça que os fracos abençoa
Mas muita gente ainda se magoa
Inocentes ou não, a morte não escolhe a ponta
Enquanto o diabo colecciona troféus na sua montra
Mas o ser humano vai criando a própria extinção
Porque Deus perdeu o controlo sobre a ganância e a ambição
Acredites ou não o que digo não foi escrito
Porque o meu destino ainda sou eu que o dito
Enquanto a verdade é absorvida p'la hipocrisia
Há doenças que matam inocentes todo o dia
Atravessam gerações e dormem em qualquer cama
Mas nasceram da curiosidade da miserável raça humana
Sem escrúpulos que destrói quem não controla
Plantaram minas como flores nos solos de Angola
Inventaram os ghettos dos Afro-americanos
Com pedras que se evaporam chacinaram muitos manos
A corrupção é como água que escorrega em qualquer goela
Abrem-te a porta p'ó tráfico ou simplesmente p'ra uma cela
Armas ilegais que não caiem do céu
De vez em quando há um corajoso que levanta o véu
Mas porque é que tememos que deveria nos acudir?
És agredido por quem deveria proteger e servir
Nem se aproveita a honra porque a luta é desigual
Respeito que nem se preserva no corredor de um hospital
Deus guarda a justiça no bolso de quem pode
Quem não tem bolso p'ra guardar é sempre aquele que se fode
Já nem na casa do Senhor estamos em segurança
Porque a cobiça é cega e todos querem encher a pança
O padre pede esmola em nome do divino
Cada cêntimo que dás, em Deus espetas um espinho
Rogam-te pragas se não dás o que é preciso
Igreja é tipo agência p'ra alugar quartos no paraíso
Isto são coisas que se passam aos olhos de toda a gente
Mas isto só acontece porque quem cala consente
O velhaco do sacerdote que viola o menino do coro
E rouba-lhe a inocência, o seu maior tesouro
Ainda se benze em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Enquanto o menino chora porque aquilo magoa tanto
E a sua mãe se confessa que se sente impotente
Que não sabe o que fazer porque o seu filho está diferente
Em cinco minutos de prazer se muda a vida de alguém
Porque o egoísmo atravessa as barreiras do além
Isto é p'ra todos aqueles que lutam sempre sós
Isto é o código da verdade e eu sou a voz de quem não tem voz
Porque quem cala consente, porque quem cala consente
Nós somos a voz de quem não tem voz
Produzido por Dezze
Letra e voz por WTR, Reflect e Dezze
Fotografia por Natasha Cabral
2006
13. Personificação
Quantas vezes já dei por mim aqui fechado e isolado?
Foste tu o meu refúgio sem que me sentisse aprisionado
És a liberdade plena que me empurra lá p'ra fora
Foste a única que ficou nos bastidores a toda a hora
Eu sei que já te desiludi e falhei no compromisso
Mas nasceste de um amor [e serei eterna por isso]
Eu sei que falas comigo, mas nem sempre te posso ouvir
Será que consigo acreditar? [não podes desistir]
Mas nem sempre foi fácil e reconheço que cresci
Nenhuma rua me ensinou o que contigo aprendi
[Eu também cresci contigo e vou estar até ao final]
E posso conquistar o mundo se o que sentimos é real
Nem sempre fui o melhor pai, apesar de ter tentado
Sinto que és a minha imagem, o meu reflexo, de mim um bocado
É em ti que me concentro e foco-me no teu progresso
[Não quero promessas.. sê tu próprio é o que te peço]
Já muitos nos visitaram, mas não entendem a empatia
Que me fez educar-te e transmitir-te o que sabia
Foi a ti que dediquei tantos anos e tantas horas
Parte-me o coração quando estou longe e sei que sozinha choras
Desculpa o facto de ser uma pessoa complicada e reservada
[Sente que sou parte de ti, separados não somos nada]
Considero justo o pacto que me transcende e que me supera
Por seres a melhor filha do mundo e o teu nome ser Kimahera
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
Voz adicional por Joana Nascimento
2007
14. Último acto
(com Dino)
Abraça agora o tempo como nunca abraçaste
Escuta o som da minha voz como nunca escutaste
Sente o hino de mil caras, de mil vozes e um contraste
Na procura de ti próprio quando sentes que já falhaste
Tento ser razoável, mas o meu tempo é limitado
Sinto que já perdi de mais por tudo aquilo tenho dado
Sinto as mãos a tremer quando num palco vocês brilham
E um arrepio na pele ao ver que me deram o que não tinham
Sinto a responsabilidade de conquistar numa mensagem
Não te iludas com o brilho e o fascínio de uma imagem
Metade das luzes são falsas e o resto é camuflagem
Raciocínio nesta geração é uma pura miragem
Não é o fumo que consomes, é o fumo que te consome
Quando te mata, te prende e te rouba o teu nome
Sou o assalto que te tenta quando a alma já rebenta
Sou a raiva que explode e o coração que não aguenta
E se o meu tempo me permitir mostrar
Serei a luz nos teus ouvidos que te vai guiar
E se esta história tem que ter um fim
É isto que eu sou e o que quero para mim
Respiro o mundo individualista que me mente em colectivo
Que não me dá a cura, mas me vende um preservativo
Prefiro o ódio à verdade que caracteriza a minha vivência
Do que o amor a uma mentira e um sorriso de benevolência
Numa resposta não convicta eu convido à reflexão
Sou o Reflect que nunca fui e cada dia é uma lição
Sou sócio honorário da virtude que me guia
Sou o reflexo nos teus olhos, a saudade e a nostalgia
Só quero ser inspiração p'ra quem me sente e premeia
Os que cresceram a ouvir-me e me aplaudiram da plateia
Não desiludo, não iludo, sou a ausência de uma promessa
Sou ampulheta e a areia que escorre sem dar conversa
Sou o mérito de uma vitória que comprei com o meu talento
Sou a perícia, sem malícia, valores são o alimento
E se o meu tempo me permitir mudar o rumo desta história
Serei a voz da salvação que te canta em tom de glória
Sou o último acto d'uma peça que nunca irá estrear
Porque no fundo eu nem nasci, eu morri para criar
Vivo no limite da razão, insanidade chama por mim
Não conheço o início, mas tenho contrato com o fim
Desvendo a vossa mente, sente o medo e recua
Sou mistura excessiva de silêncio e luz da lua
Psicologia desta vida e filosofia tatuada
Sou o enigma, sou a chave, sou a mágoa acumulada
Não corro atrás de ninguém, mas fujo do que não sou
Odeio cada verso que a minha mente criou
Nunca serei o melhor, porque no fundo eu não existo
Eu não penso, nem respiro, moro ao lado de Cristo
Sou os phones nos ouvidos da esperança desfocada
Na minha visão diminuta, amplamente explorada
E se as linhas de um livro justificam todo o mal
Então o mundo já acabou e esta faixa nem é real
Produzido por MeK0
Letra por Reflect
Voz por Reflect e Dino
Scratch por Gijoe
Fotografia por Natasha Cabral
2006
15. Um pouco de luz
Não consigo adormecer, só me apetece chorar
Só queria um pouco de paz, poder descansar
Fechar os olhos, pensar e ter motivos p'ra sorrir
Encosto a cabeça na almofada sem conseguir dormir
Sinto-me só, sem conhecer a explicação
Interpretador nato no que toca a solidão
Sempre acreditei no que sou, nunca desisti
Trago orgulho por todas as vitórias que consegui
Escorrem lágrimas, eu não consigo evitar
Penso como seria se tudo pudesse mudar
Sinto-me tão frágil sem ti, podes crer
Tento ser forte como me ensinaste a ser
Mas é tão difícil apesar de compreender
Sentado nesta cadeira sempre triste a escrever
Viajo na minha memória sem objectivo traçado
Admito que tenho medo do futuro não revelado
Procuro as palavras certas quando tudo está errado
Dou tudo por quem às vezes me deixa magoado
Do que serve um coração puro se este não for amado?
Do que serve ser artista se não for respeitado?
Escrevo páginas, vivo cada verso intensamente
Se amar é sofrer então sofro eternamente
Não desisto só porque parece complicado
Fico mais forte por nada ser facilitado
No degrau da esperança, plantei uma semente
Subi a escada com confiança, hoje tudo é diferente
Paixão incondicional pela vida que valorizo
Músico sincero a cada vibração que canalizo
Cada verso uma estrela, o céu a minha melodia
Perseguido pela sombra, ilumino cada dia
Se lutar é vencer porque não sinto a vitória?
Se o tempo tudo curasse, amor seria história
Vejo-me.. sem me sentir satisfeito
Protejo-me.. desconfio e não aceito
Guardem o mapa, eu já conheço o tesouro
És única, és linda, envergonhas o ouro
Peço um desejo: quero a tua felicidade
Só assim posso ser feliz, acredita que é verdade
Se um dia eu disser adeus não quero que sintam saudade
Sorriam porque um dia lutámos lado a lado
O caminho é mais longo, estou cansado de andar
Pergunto-me.. se estou onde podia estar
Pergunto-te.. se vale mesmo a pena lutar
Tranquei as portas por onde gostava de sair
Se existe explicação porque demora tanto a vir?
Sei que não é justo, mas tento aguentar
Vejo luzes que me transportam para outro lugar
Sinto cheiros de flores que não posso tocar
Tento marcar pontos, mas sei que não vou ganhar
Há coisas que não controlo.. tenho que aceitar
Vejo reflexos de pessoas que nunca esqueci
Olhos são o espelho da alma, vazia sem ti
Tento esquecer quando quero tanto lembrar
Continuo a correr quando só me queria sentar
O simples é tão belo, aprendi a apreciar
Olho para trás com saudade, mas tenho que continuar
Ardem feridas não curadas apesar do tempo tentar
Resumo o que sinto a um sincero olhar
Um quadro cheio não é uma pintura completa
E a vitória nem sempre vem depois de cortar a meta
O mundo pode mudar, o tempo pode parar
O que sou é eterno e nada me fará mudar
Caminhos podem-se cruzar rumos podem mudar
Mas um pouco de luz continuarei a procurar
Produção, letra e voz por Reflect
Fotografia por Catarina Mira
2005
16. Prenúncio I
(com Dino)
Eu já me vi perdido nos parágrafos que me afogam
E educado por versos em melodias que me tocam
Já me vi a sofrer pelo amor que não sentiste
E já me vi a odiar pela forma como mentiste
Já vi o brilho no meu olhar a cheirar a inocência
Já vi culpados escoltados a assinarem p'la violência
Bati palmas ao desfile da falsidade e cobardia
Mas nunca a deixei entrar quando à porta me batia
Já vi julgarem o que sou só pelo prazer de o fazer
E a desilusão a aparecer por eu nunca responder
Eu tenho a fama à porta, é lá que limpo os pés
Só depois faço a música que me separa de vocês
Já vi o stress e a rotina e o desespero é familiar
Já vi castelos na areia a desafiarem o mar
Eu já vi o Universo.. mas não me contento
E nunca vi uma paixão como a que guardo cá dentro
Não quero mais ter sorte
Só quero é viver e crescer para ser forte
Eu já pensei como seria e partilhei a conclusão
Já depositei confiança e levantei desilusão
Nunca falei, mas fui falado, já calei sem ser calado
E de cada etapa destes vinte, hoje sou o resultado
Já venci, já falhei, já fui o melhor e o pior
Mas sempre honesto e verdadeiro com humildade e suor
Já vi o bem e o mal a conspirarem em segredo
Numa ameaça que disfarça, mas que não oculta o medo
Já li mails de inveja e comentários mesquinhos
Mas nunca conheci a cara desses cobardes meninos
Reportagens sobre mim e sobre aqueles que mais amo
Já vi serem feitas, mas furado saiu o plano
Visitei tantos palcos sem nunca ter lançado
Acreditaram em mim e por isso um obrigado
Já conheci a melhor pessoa que esta vida me entregou
E nem a morte que me desejaram até hoje me afastou
Produzido por Gijoe (Sickonce)
Letra por Reflect
Voz por Reflect e Dino
Fotografia por Família Pinto
2002/07
17. Infinitamente
infinitamente
Olha p'rá mão de um poeta, calejada e marcada
Por toda a falsidade que apanhei por esta estrada
O ódio que sinto passa a desgosto quando não vejo um brilho no rosto
Daqueles que eu queria, viram a rotina fazer da vida apatia
Numa família, só de fachada, cada um por si de cara voltada
Como seguir as regras de um livro que a mim já não me ensina nada
Quantas vezes passei por aquela porta?
Ouvir-te a chorar podes crer que me importa
E odeio a incapacidade de nada poder fazer
Hoje percebo como é que ficavas
Quando pedia um brinquedo e tu não compravas
Por isso desculpa se não percebi
E vê a inspiração que recebi de ti
Nada quero que me pagues, não te sintas mal
Nem quero uma prenda pelo Natal
Só quero que estejas todos os dias
Com o mesmo olhar de quando histórias me lias
Adormecia tão bem e acordava bem melhor
Embalado na certeza de contar com o teu amor
"Olha lá vai o filho do Vereador, aquele do site armado em cantor
Aquele que rima com os pretos da Caixa, oh meu deus que classe tão baixa"
Quem são vocês p'ra falar de classe, se não têm mais que a quarta?
Numa mentalidade atrasada, sinceramente a mim já farta
Eles não precisam da vossa pena nem sequer de solidariedade
Nem imaginas o que podem fazer se lhes derem uma oportunidade
Uma pessoa não se mede p'lo salário, nem por um voto num poder partidário
Nem pelo carro, nem pelo curso, nem numa casa ou num concurso
Licenciado não sou por opção, inteligência não é memorização
Dispenso ser o engenheiro que cabula, sou o génio que habita na lua
Sou autodidacta, sem ordenado, sem um carro topo de gama comprado
O que dedica o tempo a deixar no tempo o que o tempo lhe ensinou
Para que uns não repitam os meus erros e outros aprendam com o que sou
Será que sentes o que sinto quando vejo o meu pai desiludido?
Pela cobardia de quem não faz numa vida o que ele fez num dia
Por isso p'ra além da sua posição, invejem dois filhos mais educação
Não devo nada a ninguém, construí aquilo que sou
Criei este reflexo que ao infinito me levou
Por isso é que eu já não me preocupo, fiz tudo p'ra ter o lugar que ocupo
Madrugadas a programar, madrugadas a cantar
Sou vítima desta estúpida guerra
Armação / Silves, qual é a tua terra?
Vejo escolhas condenadas, falta de visão, pessoas atrasadas
Poucos deram aquilo que eu dei por Armação só eu o sei
Diz-me quem mais alto levou este local que me abraçou?
Por isso quando ao céu chegar
Já tenho uma história p'a contar
Começa ao lado do Zara a cantar
E termina quando este beat acabar
Produzido por Spell
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
2007
18. A sós com a nostalgia
(com J.Mestre)
Por favor atende a chamada
Já estou farto de conversa fiada
De atitudes de menina mimada
Poupa-me e fica calada
Não brincas mais com o que sinto
Se disser que não te amo minto
Mas isto já foi longe de mais
Os teus actos não são reais
Esta é a última vez que te digo
Já não partilho segredos contigo
Esquece tudo o que passaste comigo
Já não sou nem amor nem amigo
O teu toque já não me embala
A tua voz verdade não fala
Dei-te tantas oportunidades
Só brincaste com as minhas saudades
Só soubeste tirar partido
De um coração magoado e ferido
Junto as peças da fotografia
Que rasgaste só por ironia
Eras tu quem não sentia
Era eu que por nós tudo fazia
Por isso tchau e até qualquer dia
Vou-te deixar a sós com a nostalgia
Esta é a última vez que te digo
Já não partilho segredos contigo
Esquece tudo o que passaste comigo
Já não sou nem amor nem amigo
Produção, letra e voz por Reflect
Guitarra por J.Mestre
Fotografia por Pedro Pinto
2007
10. Armação de sonhos
Oh Armação canta quando eu cantar
Da areia até à lua a inspiração que me dás
Do mar até ao sol vou lutando pela paz
Oh Armação canta quando eu cantar
Sente o hino do teu filho quando te vê a brilhar
Sou o castelo na areia que o tempo não vai levar
Passeio estreito, rua apertada, cheira a mar na madrugada
Rasgo de luz no parapeito, janela com vista tapada
Sete andares de betão que fazem sombra na estrada
O ritual repete-se, reflecte-se na calçada
Areia fina esbranquiçada por um país pisada
Pela falésia que cai sobe uma praia privada
Juventude mal ensinada, capacidade desperdiçada
Em três meses de trabalho com ambição ignorada
Tenho o joelho esfolado por jogos naquele pelado
Subo à fortaleza com orgulho no emblema bordado
Com lágrimas de alegria por cada golo marcado
Com sorriso de criança por cada dia aproveitado
O mesmo que passeia por uma aldeia afogada
Em cheias que visitam sem convite na alvorada
É o retrato colorido desta Vila mal pintada
Ao país que leva tudo, mas que cá não deixa nada
Jovens como o que sou, carregados de esperança
Com um futuro à sua frente com falta de confiança
Merecedor de cinco, trago quatro sem razão
Ignorante o professor que rouba a motivação
Projectos não reconhecidos pela gente do poder
Marcam história nesta rua onde te vejo crescer
Não sigas exemplos que nada exemplificam
Companhias mal escolhidas que só te prejudicam
É o tempo desperdiçado em cigarros num café
Apatia que me enjoa de gente que diz ter fé
Estúpida a família que te priva de sonhar
Que é pequena demais p'ra ver o que tens p'ra dar
O prazer que adoras é a dor que amanhã choras
Tira a mão do bolso, abre o livro que ignoras
Chuta a bola colocada, voa ao ritmo da gaivota
Nesta Armação de sonhos escolhe tu a tua rota
Produzido por Rayman C.
Letra e voz por Reflect
Fotografia por Pedro Pinto
Scratch por Gijoe
Intro por Grupo Shalom - "Armação"
2007
Último acto
05.
Três páginas de história
08.
A minha outra história